Depois de um longo e tenebroso inverno as coisas estão começando a voltar ao normal (se é que eu posso chamar minha vida de normal). Então, enquanto não escrevo um post de verdade vou deixá-los a par do que tem acontecido, de forma bem resumida.
A revelação
Todos que me conhecem, e também que não conhecem, mas leram e assistiram o último post, sabem, ou no mínimo presumem que eu esteja em tratamento médico, ao menos, é claro, que alguém cutucando seu estômago com uma sonda seja a sua idéia de diversão.
Devido a isso, tenho ido muito frequentemente à Fundação Hospitalar, algo que enche o dia de qualquer pessoa de prazer e alegria. Quem aqui já precisou usar o nosso sistema público de saúde, sabe que para agüentar as intermináveis horas de espera regadas ao choro uníssono de aproximadamente 125463,7 crianças ao seu redor, o sujeito tem que ser criativo. Comecei tentando ser otimista e tendo pensamentos positivos, afinal, não existe nada mais gostoso que estar rodeado de pessoas doentes em um clima agradável de uns 43º C, na sombra, é claro. Depois disso, peguei meu prontuário e comecei a ler. Foi aí que veio o verdadeiro susto. Nesse momento esqueci das quase 2 horas de espera, as 125463,7 crianças pareciam ter desaparecido, nesse momento eu descobri que:
Isso mesmo, depois de 25 anos, eu descubro, que na verdade, sou uma fêmea. Individuo de cromossomos XY. E, ainda mais, peluda e lésbica. Vocês têm noção do que uma informação dessas, descoberta dessa maneira pode fazer com a vida de uma pessoa? Eu entrei em parafuso com essa crise de identidade, mas decidi continuar vivendo como se nada tivesse acontecido, afinal, o que pensariam de mim. Mas eu precisava contar isso pra vocês. Tenho andado muito sensível, talvez seja o “período”. x)
A perda
Agradeço a todos que estiveram ao meu lado nesse momento. Até mesmo pessoas que eu jamais pensei que estariam. Muito obrigado mesmo. Descobri alguns amigos de verdade e tive a confirmação de outros. Mas acima de tudo, tenho aprendido o significado da palavra NUNCA. Palavrinha sem vergonha que falamos, talvez, dezenas de vezes ao dia. Mas, sentir o NUNCA... é inexplicável.
TE AMO MÃE!
